
Se não houver frutos valeu a beleza das flores.
Se não houver flores, valeu a sombra das folhas.
Se não houver folhas valeu a intenção da semente.
Se não houver quem te veja.
Valeu o teu tempo junto ao espelho.
Se não houver quem te entenda.
Valeu o teu esforço por te fazeres perceber.
Se não houve alma que te acolhesse,
Valeu o tempo que ela te contemplou.
Se não houve rio que levasse as tuas almas,
Valem a sua limpidez onde viste a tua face.
Se não houve quem ficasse segurando a tua testa,
Valeu o tempo que passaste contigo mesma.
Se não houve quem construísse pontes até ti,
Valeu o esforço de tentares passar as suas muralhas.
Se não houve quem te ouvisse,
Valeu a intenção do teu discurso.
Mas...
Se não houve alguém que te amasse,
Então de nenhum esforço surgiu a glória.
Então de nenhum átomo da tua história valeu o esforço.